As taxas de obesidade feminina e masculina entre os adultos no Brasil mais do que dobrou nos últimos 20 anos, mostrando que a doença já alcança um em cada quatro brasileiros. Nesse contexto, a obesidade feminina é ainda mais prevalente.
Além disso, já se sabe que essa é uma doença crônica e que pode gerar diversas complicações à saúde, se relacionando com cerca de 2 terços das principais causas de mortes por doenças que não são transmissíveis.
Porém, esse risco de complicações e mortalidade é diferente entre homens e mulheres. Dentre as principais complicações gerais da obesidade, estão:
- Diabetes mellitus tipo 1 e 2;
- Doença arterial coronariana (problema de coração);
- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Doença pulmonar obstrutiva crônica;
- Câncer de pulmão;
- Doença renal crônica;
- Doença hepática gordurosa não alcoólica;
- Doença hepática crônica, entre outros.
No entanto, entre as diferenças de riscos, está a maior ocorrência de diabetes em mulheres obesas se comparado com homens nas mesmas condições físicas e, por outro lado, a maior taxa de doença renal crônica e doença pulmonar obstrutiva crônica no público masculino.
Além disso, existem outras complicações associadas exclusivamente à obesidade feminina, principalmente com relação a distúrbios hormonais e metabólicos. Confira a seguir quais podem ser esses quadros

Implicação da obesidade feminina na vida da mulher
A obesidade feminina traz prejuízos à saúde principalmente pelo distúrbio metabólico que o excesso de gordura gera ao organismo, resultando em diversas alterações nos níveis hormonais.
Dentre essas alterações está o aumento de estrogênio, elevação de insulina circulante, colesterol alto e inflamação crônica no organismo. Devido a isso, muitas complicações podem acontecer. Confira algumas delas a seguir.
Obesidade feminina e infertilidade
A redução da fertilidade é um problema frequente entre as mulheres obesas, devido às alterações dos níveis de hormônios sexuais e nos hormônios responsáveis pelo ciclo menstrual. Nesse sentido, tanto às concepções naturais, quanto às tentativas de reprodução assistida possuem maior taxa de fracasso na obesidade feminina.
Obesidade feminina e câncer
Outro problema de saúde grave que tem maiores chances de aparecer em mulheres obesas são alguns tipos de câncer, por exemplo o câncer de mama, o câncer de ovário e o câncer de endométrio.
Esse risco aumentado se dá, no geral, pelo excesso patológico de estrogênio circulante, o aumento de insulina e o processo inflamatório crônico que a obesidade causa no organismo.
Obesidade feminina e SOP
Para quem não conhece, a SOP – síndrome dos ovários policísticos – é uma disfunção endócrina que se apresenta com vários sintomas nas mulheres em idade reprodutiva, como ausência de ovulação, irregularidade menstrual, resistência à insulina, dislipidemia, aumento de pelos corporais e acne, entre outros.
Nesse sentido, a relação da SOP com a obesidade feminina acontece porque um quadro costuma agravar o outro, ou seja, a SOP aumenta as chances da mulher ficar obesa e, por outro lado, a obesidade costuma agravar as manifestações da SOP.
Além disso, tanto a síndrome dos ovários policísticos quanto a obesidade feminina aumentam os riscos das mesmas complicações, como doença cardiovascular e diabetes mellitus.
Obesidade feminina na pós menopausa
Após a menopausa já há uma tendência da gordura corporal ser mais centralizada, ou seja, se acumular mais na região da barriga, devido a baixa de estrogênio que é natural nessa fase.
Porém, um problema disso é que a gordura abdominal é a mais prejudicial à saúde e, assim, a obesidade feminina nessa fase da vida oferece ainda mais risco, como o de diabetes, doenças inflamatórias e cardiovasculares.
Além disso, o excesso de peso e de gordura durante o climatério também está relacionado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, como o de mama, ovário, endométrio, tireóide, esofâgo, colorretal, hepático, gástrico e das vias biliares.
Tratamento da obesidade feminina

A alta taxa de obesidade feminina e masculina chama a atenção para a necessidade de tratamentos eficazes. Entre esses está a reeducação alimentar como base, sendo importante o acompanhamento nutricional para evitar as dietas da moda, que resultam muitas vezes em déficits de nutrientes e “efeito sanfona”.
Outro ponto importante é a rotina de atividades físicas, que deve ser seguida rigorosamente pela paciente. Dessa forma, é possível reduzir o excesso de gordura, aumentar a massa muscular e melhorar o metabolismo que estava prejudicado pela doença.
Em alguns casos também pode ser necessário o uso de medicamentos e a realização de procedimentos. É importante ressaltar que nessas situações deve-se ter a orientação de um médico especialista.
Atualmente já existem tratamentos muito bons, pouco invasivos e que dispensam a cirurgia bariátrica convencional em muitos casos. Dentro desses está o uso de balão intragástrico, ou seja, a colocação de uma espécie de “esfera”, dentro do estômago, que ocupa um espaço ali e atua como se fosse uma redução desse órgão.
Vale lembrar que esse método não utiliza cirurgia, já que o balão é introduzido fechado, por meio de um endoscópio, e somente quando já está dentro do estômago é que ele é enchido.
Outra técnica inovadora é a gastroplastia endoscópica, pela qual são feitas suturas no estômago para reduzir o seu tamanho, sem precisar de incisão, já que é feita apenas por meio da endoscopia.
Dessa forma, é possível perder uma grande quantidade de peso em pouco tempo, sem passar pelos riscos e pelo processo de recuperação da cirurgia bariátrica convencional.
Agende um atendimento, tire suas dúvidas e comece um tratamento endoscópico para a obesidade feminina.