Obesidade: tudo que você precisa saber!

Dr. Mauro Jácome | 11/01/2022

Entenda porque a obesidade é um problema de saúde, como esse quadro pode estar associado à outras doenças e saiba como tratá-lo.

O que você vai ver neste conteúdo

Muito além do que reflete o espelho ou se apura na balança

A obesidade é uma doença crônica que afeta a vida de milhões de brasileiros. Atualmente, mais da metade da população brasileira está acima do peso que é considerado ideal para a altura de cada indivíduo, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019.

Assim, é essencial ter acesso a informações adequadas sobre essa doença e entender a importância do acompanhamento médico nesses casos, visto que a obesidade não está relacionada apenas com aparência, mas também com repercussões na saúde do paciente.

Vale lembrar que nem sempre estar acima do peso significa ter uma saúde prejudicada. Por isso, uma atitude importante é procurar orientação médica para entender o seu quadro, realizar exames de rotina e ter orientações adequadas quanto à sua situação frente ao seu peso.

Mas, afinal, você sabe como é feito o diagnóstico da obesidade e o que fazer no dia a dia para cuidar mais da sua saúde e evitar o aparecimento de outras doenças? Confira a seguir essas informações!

Tudo que você precisa saber!

Em primeiro lugar, é importante entender a definição dessa doença, que é entendida pela Organização Mundial da Saúde como um acúmulo excessivo de gordura corporal que pode ser prejudicial à saúde.

Assim, para acompanhar o peso de cada indivíduo, é utilizado o IMC (Índice de Massa Corporal), que é um indicador que utiliza uma relação entre a altura e o peso (peso / altura²) da pessoa para avaliar se essa proporção está dentro do esperado.

Essa classificação é feita da seguinte forma:

  • Menor que 18,5 – Abaixo do peso
  • Entre 18,5 e 24,9 – Peso normal
  • Entre 25 e 29,9 – Sobrepeso (acima do peso desejado)
  • Entre 30 e 34,9 – Obesidade grau (I)
  • Entre 35 e 39,9 – Obesidade grau (II)
  • Acima de 40 – Obesidade mórbida grau (III)

Faça o cálculo do IMC no final dessa página.

Vale lembrar que essa estimativa não deve ser usada isoladamente e o contexto de cada indivíduo deve ser considerado, visto que nem sempre o excesso de peso está relacionado ao excesso de gordura corporal.

Como é feito o diagnóstico da obesidade?

No atendimento médico, além de calcular o IMC, é essencial entender sobre o histórico de peso corporal do indivíduo, sobre os hábitos alimentares e de atividade física e também descobrir se há a presença de alguma outra doença.

Eventualmente poderão ser solicitados exames complementares como: porcentagem de gordura corporal, ou o teste de bioimpedância, que geralmente é feito usando um tipo especial de balança.

Também é importante a solicitação de outros testes, como exames de sangue, para verificar se há problemas hormonais ou outros quadros de saúde que possam estar causando o ganho de peso.

O que pode causar a obesidade?

Ao analisar o que causa o sobrepeso e a obesidade, ou seja, porque engordamos, deve-se levar em consideração que quando comemos, nosso corpo usa as calorias consumidas para realizar as atividades básicas, desde o bombeamento do sangue pelo coração, até a energia que é gasta para fazer uma caminhada.

Assim, se o consumo é maior que o gasto, ou seja, se houver calorias que não estão sendo utilizadas, o corpo vai armazená-las na forma de gordura e trazer prejuízos à saúde a longo prazo.

Também vale lembrar que as causas da obesidade não se resumem a alimentação, visto que alguns medicamentos, por exemplo, os antidepressivos, podem causar ganho de peso. 

Além disso, algumas condições de saúde que afetam o metabolismo, como o hipotireoidismo, também podem levar ao ganho de peso corporal. Mas, em geral, podem ser cuidadas de maneira que não causem o aumento excessivo de gordura.

Quem pode se tornar um obeso?

Qualquer pessoa pode ganhar peso e se tornar obesa, seja por ingerir mais calorias do que seu corpo está consumindo, por alterações metabólicas ou por outras condições físicas e psicológicas que influenciam no ganho de peso.

Alguns fatores que favorecem a obesidade são:

  • Hábitos alimentares com alimentos muito calóricos e ultraprocessados;
  • Baixa frequência de atividade física (sedentarismo);
  • Estresse e ansiedade;
  • Sono desregulado, dormindo poucas horas por noite;
  • Mulheres na menopausa;
  • Uso de alguns medicamentos;
  • Doenças não tratadas, como o hipotireoidismo, entre outros.

É importante ressaltar que esses fatores não levam necessariamente à obesidade, mas certamente podem contribuir para o seu aparecimento.

Obesidade andróide e ginóide

Como já citado, a obesidade é resultado da ingestão excessiva de alimentos ou da falha do corpo em utilizar a energia consumida e, como resultado, essas calorias extras são armazenadas como gordura. 

Nesse sentido, a singularidade de cada pessoa determina em que áreas do corpo será armazenada essa gordura, podendo classificar a obesidade como andróide ou ginóide.

No tipo andróide, a gordura fica armazenada em torno da região abdominal e esses indivíduos têm maior risco de ter doenças relacionadas à obesidade, como doenças cardíacas, síndrome metabólica, diabetes, alguns tipos de câncer e gota. 

A obesidade andróide também pode se manifestar em outras áreas do tronco superior, como na nuca e até nos ombros e, em uma mulher, esse quadro também pode resultar em características mais masculinas, como o excesso de pêlo corporal.

Por outro lado, no tipo ginóide de obesidade, o excesso de gordura está sendo depositado nas áreas do quadril e da coxa. Nesses casos, apesar de ainda haver risco aumentado para outras doenças, esse risco ainda é menor que os obesos andróides.

Obesidade feminina e masculina

A obesidade está relacionada com dois terços das principais causas de óbitos por doenças não transmissíveis em todo o mundo e esse risco é diferente para homens e mulheres.

Nas mulheres, por exemplo, há um risco maior do aparecimento de diabetes tipo 2, enquanto que os homens enfrentam um risco maior de doença pulmonar obstrutiva crônica e doença renal crônica.

Obesidade sarcopênica

A sarcopenia é a perda excessiva de massa muscular e, consequentemente, da força e resistência física do indivíduo. Assim, a obesidade sarcopênica é a perda de massa magra, mas com massa de gordura preservada ou mesmo aumentada. 

Sabe-se que nesta condição de pouca massa magra, estão envolvidos sedentarismo, desequilíbrio do gasto energético, redução do metabolismo,  inflamação crônica e mudanças hormonais, favorecendo o aumento da massa de gordura. 

Além disso, o estado de inflamação crônica induzida pela obesidade, leva à degradação da proteína, e, consequentemente, progressão da perda de massa muscular.

Somado a isso, estas alterações contribuem na redução da densidade mineral dos ossos e estão associadas a osteopenia e osteoporose, gerando risco aumentado de doenças ósseas e também maior risco no pós-operatório da cirurgia bariátrica, por exemplo.

Esse quadro de obesidade sarcopênica está diretamente associado com alto risco de desenvolvimento de doenças metabólicas e de mortalidade.

Obesidade e desnutrição

Vale lembrar que a desnutrição é uma condição clínica decorrente de uma deficiência ou excesso, de um ou mais nutrientes essenciais. Portanto, a obesidade e a desnutrição são doenças nutricionais que podem ou não ser relacionadas a problemas alimentares.

Principais doenças associadas à obesidade

Diabetes tipo 2

Indivíduos obesos têm um aumento de cerca de 3 vezes do risco de desenvolver diabetes tipo 2, em comparação com o resto da população. 

Na pessoa diabética, a redução de cerca de 10% do peso corporal está diretamente relacionada com a redução do risco de morte causado pela doença.

Isso porque a perda de peso favorece a diminuição da resistência à insulina, melhora a resposta das células pancreáticas à glicose e também aumenta a liberação da insulina, reduzindo os problemas da diabetes.

Hipertensão (“pressão alta”)

A elevação do peso no indivíduo está associada ao aumento de insulina no sangue, o que favorece o aumento do volume sanguíneo circulante e pode resultar na perda da regulação da pressão sanguínea e no aparecimento da hipertensão.

É importante ressaltar que a hipertensão é uma doença cardiovascular crônica e, se não for controlada, a pressão alta pode causar ao longo do tempo:

  • Insuficiência cardíaca;
  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Insuficiência renal.

Depressão

Em alguns estudos já foi identificada a relação do IMC mais alto com maiores casos de desenvolvimento de depressão.

Ansiedade

De acordo com a psiquiatra Dra. Aline Rangel, há relação direta entre obesidade e ansiedade, não somente em razão do aumento do consumo de alimentos calóricos e gordurosos. 

Nessa condição de estresse, há maior liberação do hormônio chamado de cortisol, que tem como uma de suas funções o estímulo à produção de gordura no organismo. 

Isso acontece porque, em situações de estresse, o corpo entende que pode precisar de mais energia e tende a produzir mais reservas na forma de gordura. Portanto, quando em estados de ansiedade, o organismo tende a produzir o hormônio em excesso, aumentando a concentração de gordura, principalmente, na região abdominal.

Tratamento da obesidade

O primeiro passo para tratar a obesidade é uma mudança de estilo de vida, principalmente, por meio da reeducação alimentar e da atividade física.

Porém, se esses  novos hábitos não forem suficientes, algumas outras intervenções podem ser utilizadas, como:

Portanto, buscar ajuda e não desistir do tratamento é de fato o mais importante, visto que esse processo é longo e cheio de desafios, precisando principalmente da disciplina do paciente.

Se você quer entender mais sobre as soluções para essa doença e tirar suas dúvidas, siga o Dr. Mauro Jácome no Instagram e agende um atendimento. 

Nota: A intenção deste artigo é trazer informações sobre a doença obesidade e os impactos dela na vida e na saúde dos indivíduos. Logo, não há neste texto a intenção de fazer qualquer tipo de juízo de valor sobre o tema.

Referências

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