Obesidade e desnutrição são doenças que, em um primeiro olhar, parecem ser completamente opostas. Isso porque o obeso é caracterizado principalmente pelo excesso de peso, enquanto o desnutrido é muito associado a magreza extrema.
Entretanto, já se sabe que isso não é verdade e que a obesidade está frequentemente associada a desnutrição. Porém, antes de explicar essa relação, é preciso entender a definição dessas doenças.
Em primeiro lugar, a obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de peso e gordura corporal e que, de forma geral, é diagnosticada se o índice de massa corporal (IMC) do indivíduo estiver igual ou acima de 30 kg/m².
Por outro lado, a desnutrição é definida pela ausência de nutrientes, em quantidades adequadas, que o corpo necessita para cumprir suas funções de forma eficaz.
Se essa falta de nutrientes for relacionada a proteínas, gorduras e carboidratos, por exemplo, haverá baixo peso corporal e magreza extrema, que é o quadro frequentemente associado à desnutrição.
Porém, nem sempre essa doença se apresenta dessa forma, já que ela pode ocorrer simplesmente pela falta de micronutrientes, como vitaminas e minerais, e estar presente em um indivíduo com o peso normal ou até mesmo com excesso de peso.
Obesidade e desnutrição - qual a relação?

A relação entre obesidade e desnutrição se baseia, principalmente, na má alimentação, ou seja, no consumo de alimentos que são muito calóricos e pouco nutritivos.
Isso porque, a alimentação desregulada e em grandes porções é uma das principais causas que levam um indivíduo a ficar obeso, já que, nesses casos, há mais ingestão do que gasto calórico.
Porém, além da grande quantidade de comida, também há frequentemente uma semelhança dos alimentos que mais são consumidos por obesos: os industrializados. Entre esses estão os congelados, laticínios, guloseimas e salgadinhos, além dos famosos fast-foods.
A alimentação baseada nesse tipo de alimento tem crescido muito, principalmente pela praticidade no preparo, seja por somente colocar no forno ou até mesmo só em pedir pelo aplicativo de celular.
Porém, essa mesma praticidade é o que faz com que esses alimentos sejam um veneno à saúde, pois, para que sejam tão saborosos e de preparo simples, eles são ricos em conservantes, sódio, açúcares e gordura.
Por outro lado, o que falta nesses alimentos são os nutrientes benéficos à saúde, como minerais, vitaminas e proteínas. Assim, esse tipo de alimentação, além de favorecer o ganho de peso e de gordura corporal, também fazem com que o indivíduo fique com deficiência nutricional.
Riscos da obesidade e desnutrição
Como resultado do excesso de peso e de gordura corporal, principalmente a gordura visceral, algumas complicações de saúde são frequentes em pessoas obesas, como:
- Diabetes mellitus;
- Hipertensão arterial sistêmica (pressão alta);
- Hipercolesterolemia (colesterol alto);
- Infarto agudo do miocárdio;
- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Problemas pulmonares;
- Distúrbios do sono;
- Inflamações e desgastes de ossos e articulações, entre outros.
Por outro lado, a deficiência de nutrientes também contribui para algumas complicações. Entre essas está:
- Anemia;
- Perda muscular;
- Dificuldade de concentração;
- Apatia;
- Fraqueza de cabelos e unhas;
- Cansaço contínuo e desproporcional às atividades realizadas.
Assim, a obesidade e desnutrição juntas podem causar uma série de problemas à saúde, prejudicando fortemente a qualidade de vida do indivíduo.
Vale lembrar que a associação dessas duas doenças também é frequente em crianças, já que essa população também está muito exposta ao sedentarismo e a má alimentação nos dias de hoje.
Porém, uma complicação adicional para as crianças e adolescentes nesse caso é o déficit no desenvolvimento, tanto motor, quanto neuropsíquico.
Como tratar a obesidade e desnutrição?
O primeiro passo para tratar a obesidade e desnutrição é identificar quais os fatores que estão causando as duas doenças. Para isso, é essencial procurar um médico especializado.
No caso dos obesos, um fator fundamental é iniciar a prática de atividade física, visto que ela irá ajudar na perda de peso e na manutenção da saúde. Porém, a depender do grau da doença, também pode ser necessário uma intervenção mais rígida, como a colocação de um balão intragástrico ou uma redução de estômago.
A reeducação alimentar, no entanto, é o principal fator que irá tratar a obesidade e desnutrição juntas e, para isso, deve-se ter o acompanhamento médico, já que fazer uma dieta por conta própria pode inclusive agravar a deficiência nutricional.
Assim, para reduzir o excesso de peso e acrescentar nutrientes essenciais à saúde, deve-se priorizar alimentos naturais e reduzir ao máximo os ultraprocessados. No entanto, essa transição nem sempre é fácil, já que comer verduras, legumes e frutas é mais trabalhoso, no geral.
Nesse sentido, algumas dicas para conseguir implementar essa mudança no dia a dia são:
- Preparar a salada e as refeições no fim de semana e deixar em pequenas porções na geladeira;
- Cortar frutas e deixar na geladeira, facilitando na hora de comer ou de levar para a escola ou trabalho;
- Congelar frutas como banana, maçã, abacate, morango, entre outros para fazer vitaminas ao longo da semana;
- Fazer uma lista antes de ir às compras, para evitar comprar alimentos industrializados por impulso.
Vale lembrar que a obesidade e desnutrição são doenças graves e que devem ter acompanhamento médico. Procure um especialista e agende um atendimento.