A obesidade é uma questão de saúde que tem se tornado cada vez mais incidente na população. Segundo dados do IBGE, a proporção de obesos na população, com 20 anos ou mais de idade, entre 2003 e 2019, passou de 12,2% para 26,8%, ou seja, mais do que dobrou.
Para além das questões que essa doença pode impactar na saúde física do indivíduo, ela também pode causar distúrbios na saúde mental. Segundo dados do IBGE de 2019, a depressão é uma doença que atinge cerca de 13% da população entre os 60 e 64 anos de idade.
Nesse cenário, a relação entre obesidade e depressão tem ganhado cada vez mais espaço e evidenciado a importância de se discutir sobre esse tema.
Mas afinal, o que define a obesidade? Qual relação real desse quadro com a depressão? Entenda mais sobre o assunto e saiba como agir frente a essa situação.

O que é a obesidade?
A obesidade é considerada uma doença em que há um excesso de peso com índice de massa corporal (IMC) maior do que 30 kg/m². O cálculo do IMC é feito por meio da divisão do peso pelo quadrado da altura do indivíduo.
Apesar da classificação desse quadro de saúde parecer simples, o diagnóstico só é fechado a partir de uma avaliação mais completa que envolve a avaliação de alguns pontos, sendo eles:
- Histórico de peso;
- Hábitos alimentares;
- Prática de atividade física;
- Histórico familiar.
Além disso, a realização de exames complementares, como porcentagem de gordura, teste de bioimpedância, exames de sangue, entre outros, também pode ser necessária.
Todos esses critérios são importantes de serem avaliados, a fim de descartar outras possíveis patologias que podem afetar no aumento de peso, seja ele a partir de um histórico abrupto ou de longo prazo.
Qual a relação entre obesidade e depressão?
A relação entre obesidade e depressão é muito complexa e pode se dar por duas vias: o quadro de obesidade levando a depressão ou o contrário. Cada um deles requer um tipo diferente de intervenção, mas independente de qual seja a ordem dos fatores, ambas as patologias merecem a devida atenção.
Porque a depressão pode causar obesidade?
Dentre os diversos sinais e sintomas associados à depressão, o aumento de apetite está entre eles. O cansaço, desânimo e a baixa energia também são sintomas frequentes diante desse quadro, o que pode levar a redução das atividades diárias e a diminuição da prática de atividades físicas.
Esses dois fatores associados podem levar ao ganho de peso e de gordura corporal e em casos mais graves à obesidade.
Além disso, o estado de estresse constante causado pela depressão faz aumentar os níveis do hormônio cortisol no corpo (hormônio do estresse).
Por sua vez, esse hormônio age aumentando a produção e o acúmulo de gordura no organismo, na tentativa de reservar mais energia para vencer o suposto obstáculo que está causando o estresse.
Porque a obesidade pode causar depressão?
Em ordem inversa, o impacto psicológico de ser obeso também está relacionado a depressão como uma das causas.
Muitos estudos indicam que essa relação é ainda mais forte entre as mulheres, além de abordarem a hipótese de que o IMC mais alto, com e sem suas consequências metabólicas adversas, provavelmente terá um papel causal na determinação da probabilidade de um indivíduo desenvolver depressão.
Algumas das justificativas para essa situação é a pressão social em cima dos padrões corporais que são ainda mais graves para com as pessoas obesas. Apesar de ser importante o tratamento da obesidade, uma vez que esse quadro é considerado uma patologia, a abordagem deve ser adequada e ética.
Como tratar a obesidade?

Existem diversas formas de tratar a obesidade e elas envolvem desde mudanças de hábitos diários, até a realização de procedimentos médicos. Na maioria das vezes, a associação de diversas intervenções é o mais eficaz no tratamento desse quadro.
Em relação às abordagens de estilo de vida, a realização de dietas e exercícios físicos orientadas por profissionais capacitados é uma das principais abordagens. Em relação aos procedimentos disponíveis, a gastroplastia é uma das mais conhecidas e utilizadas no tratamento para perda de peso.
Entretanto, para resultados mais efetivos é preciso que as mudanças de hábito sejam mantidas a longo prazo.
Atualmente, existem intervenções menos invasivas e que são eficazes no tratamento da obesidade, como a gastroplastia endoscópica e a colocação de um balão intragástrico.
Gastroplastia endoscópica
Essa intervenção consiste em um método no qual o médico faz suturas no estômago deixando-o com a forma tubular e menor. Além disso, é um método menos invasivo que a cirurgia bariátrica, visto que as suturas são feitas por via endoscópica e não são necessários cortes.
Balão intragástrico
Esse é um procedimento não cirúrgico, que consiste na colocação no estômago de um dispositivo em silicone na forma de balão por via endoscópica. Esse item fica de 6 meses a 1 ano, dependendo do tipo de prótese escolhida, dentro do estômago do paciente e atua preenchendo o espaço que seria do alimento.
Nesse período é importante que o paciente siga as dietas e orientações fornecidas pelo médico.
Vale lembrar que a escolha da melhor abordagem depende da orientação médica de um profissional qualificado. Por isso, procure um especialista e agende um atendimento para tratar a obesidade e depressão.